HUGO FLORES

(Sonic Pulsar, Project Creation e Factory of dreams)

 

 



Hugo quando é que te inicias-te?

Eu recordo-me que tinha os meus 8 anos e já tocava um pouco de guitarra e piano, tudo de ouvido. Naquela altura ouvia e tocava o que mais abundava como Bryan Adams, Bon Jovi, Tina Turner, Europe e também Ozzy Osbourne (sem saber pois era um k7 com coisas gravadas que não fazia ideia do que era) entre outras coisas e pelo meio havia prog dos anos 70. Tive algumas aulas de guitarra e piano e comecei a compor músicas pelos meus 11 anos, no antigo Commodore Amiga. Foram tempos que recordo com saudade, era uma época onde não podiam haver melhores amigos e onde tenho a ideia que me diverti como nunca. O Amiga foi uma revolução, mas tinha apenas 4 canais de música, mono ainda por cima e foi um treino bestial para dar a ideia que as musicas tinham mais de 4 canais. Era tentar preencher os espaços em vazio, ou fazer a bateria alternada com qualquer outro instrumento. Cheguei a compor várias MODs para algumas demos, muito na moda na altura.

O teu primeiro e tímido álbum de artrock já há muito lá vai, fala-me desse tempo.

Sim, pelo menos 8 anos já lá vão, desde os tempos da Fóssil Records. Foi uma época interessante onde estava a descobrir o que gostava de fazer em termos musicais. Foi uma época de grande evolução, pois comecei a aliar o rock e as guitarradas ao som mais sintetizado que tinha. Foi também muito interessante porque hoje sei uma coisa, quando um trabalho mais tímido é minimamente divulgado, as pessoas e mais concretamente os críticos elogiam e dizem maravilhas, pois mesmo com produção modesta referem que tem óptima qualidade, etc, pois sabem que somo praticamente independentes… quando se começa ser conhecido, a exigência é enorme, e um álbum como o Atlantis não teria as mesmas hipóteses acho eu. Se bem que já vi alguns críticos ouvirem agora o Atlantis e acharem óptimo. Antes do Atlantis fiz 2 cds, mas apenas demos.

 

 
Pelos meus 15 anos comecei a trabalhar com o PC, bem como a fazer algumas covers de outras músicas. Fazia grandes músicas, totalmente sinfónicas e progressivas, também limitado pelo equipamento e instrumentos que tinha na época. Ainda hoje incorporei algumas dessas músicas em Project Creation!

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E do teu projecto Sonic Pulsar ?

O 1º Sonic Pulsar foi já um avanço significativo no som, e encontramos ali musicas de grande qualidade tanto ao nível das composições como da própria gravação. Destaco a Dreamscapes, uma das minhas favoritas de sempre, ou a Rádio Silent que abre o album.

Eu quero continuar e fazer o terceiro SP, mas o tempo escasseia, vou mesmo ter de pedir a uma empresa de clonagem para fazer outro igual a mim. Aliás apelo a todos os que nos lêem, se conhecerem alguma que o faça por um preço razoável que me diga pfv [risos]. O problema (ou não) é que Project Creation e Factory são as minhas prioridades e Sonic terá de ficar para trás, MAS, o conceito e algumas composições e letras para o 3ª Pulsar estão feitas. Se vai ser Sonic, ou se vai ser integrado num Creation vamos ver… Talvez não fosse má ideia ir ‘fechando’ etapas/projectos…

 

Sentiste que esse projecto ainda não era o que procuravas ou o Project Creation é a sua continuação ?

Eu acho que estamos sempre à procura, nunca estamos satisfeitos, pelo menos falo por mim. Mas o que sinto na verdade, é que quando estou a trabalhar num álbum, o que faço é o que me vai na real gana por assim dizer. Quando esse trabalho termina, quase que me esqueço dele e parto para outra. Passado 1 ano ouço o álbum antigo, e por vezes nem reconheço as músicas! Tenho de (re)ouvir e depois lembro-me de tudo, das gravações, composições,..  Sonic Pulsar continua a ter o seu encanto, mas Project Creation é uma evolução desse registo ou continuação se assim quiseres. Quanto terminar Project Creation e iniciar outro projecto vou dizer o mesmo sobre PC. Enfim, é uma evolução e nunca pára.

 

Os teus trabalhos têm uma grande aceitação no exterior, já em Portugal tal não acontece, é verdade isto? Será porque são editados no estrangeiro?

Se fossem editados em Portugal não seriam conhecidos nem aqui nem lá fora [risos]. Sim, concordo contigo, Project Creation tem boa visibilidade no estrangeiro. Até demais se calhar, pois a promoção está  a ser demasiado abrangente para ser verdade, o que por sua vez pode também ser negativo pois podemos ‘bater à porta’ de alguém que não está para ouvir algo mais elaborado. Sobretudo ocorre quando alguns críticos não entendem rigorosamente nada do que é criar algo de novo, ou tentar inovar na área do progressivo. Aliás, alguns não sabem o que é ser progressista no Mundo da música. Mas enfim, não me devo queixar pois quase todas as reacções têm sido óptimas. O facto de ser editado no estrangeiro é bom. Atingimos um vasto público e o álbum aparece muito em revistas, sites, rádios, apesar de ser sempre difícil chegar aos canais mais mainstream.

Mas a progrock tem agora uma larga distribuição, e já se encontra alguma divulgação pelo nosso País, em sites como a Fénix Webzine, Via Nocturna, Rádio Circulo de Fogo, Metalmorfose, entre outros. E obviamente temos depois os amigos habituais na área do prog que bem conheces!

 

No último trabalho do Project Creation, foste comparado ao projecto  Ayreon, o que tens a dizer sobre isso ?

No início não liguei muito, mas agora acho demais. Project Creation é, na minha opinião, muito diferente de Ayreon. Lá porque eu sou um músico que gere quase tudo sozinho, tal como oArjen, não significa que seja igual a ele. A música é diferente, eu ando por caminhos mais étnicos, mais orquestrais, mais caóticos por vezes. Enfim, sinceramente acho que piso terreno por vezes ‘perigoso’, sobretudo com este 2º cd que tem partes muito caóticas e outras muito calmas. Ainda por cima, Dawn on Pyther está  ser divulgado ao mesmo tempo que o novo Ayreon.

Já que falo nisto aproveito para dizer que a comparação não é feita só ao nível das composições, mas também ao nível da produção. E o que eu acho é que PC distingue-se pelo estilo de música muito próprio e Ayreon beneficia de uma produção de luxo, que eu não posso ter em tão larga escala. O que faço já é muito, mas parem é de comparar a produção que Arjen tem. Estou em Portugal, apesar da editora ser nos US.

Hoje de manhã li uma crítica nos US, que deu uma nota razoável e dizia que PC é mais complexo do que alguma vez Ayreon foi. Essa talvez seja uma das diferenças, mas lá está, ele gostou do álbum, mas provavelmente dará melhor nota a Ayreon…por não ser tão complexo (?).

 

Vem aí um novo projecto “Factory of dreams” Porquê um novo projecto agora, o Creation está esgotado ? Ou é um projecto paralelo ?

De maneira nenhuma, Creation vai ter 4 álbuns, já tenho a historia toda delineada.

Porquê Factory, ora bem, não é fácil produzir um álbum como Dawn on Pyther. Foi altamente desgastante. O 1º tema tem mais de 40 faixas no mix… misturar aquilo é de loucos (não sei o que estou a chamar a mim próprio, mas …)., além de que por vezes me pergunto, para quê ter um trabalho brutal, quando isto pode não ser apreciado pela maioria das pessoas? Eles querem lá saber se meti 4 melodias paralelas, com um ritmo XPTO e 4 guitarras em conjunto? Por isso quis fazer algo de muito mais simples, e eis que surgiu Factory of Dreams. As 11 musicas foram feitas numa semana e depois fui melhorando-as. A parte mais gira foi encontrar uma voz para o projecto e estou contentíssimo com a Jessica. Que grande voz tem e ela é como eu, faz tudo, desde gravar até misturar.

Mas atenção, Factory apesar de ser muito Ambiental e Gótico, vai ter elementos progressivos inevitáveis e aos quais eu simplesmente não me consigo afastar. Por isso não esperem um álbum apenas gótico-comercial, não é nada disso, apesar de reconhecer que é mais simples, mais comercial, mais apelativo vá lá que o que fiz até hoje.

 

Este novo projecto  marca a tua viragem para uma fase mais gótica?

Eu considero que sempre gostei de um género mais sombrio. Project Creation tem as suas passagens Góticas. Se me pedires para descrever o que sinto e o que quero com Factory, digo-te que pretendo que seja melódico, poderoso, estranho e quero que seja como estar dentro de um sonho (o estilo de som)... como em Project Creation o artwork será o melhor que eu conseguir obter, se possível ainda superior ao Pyther.

 

Já tem nome este novo álbum? Quando estará cá fora ?

Sim, vai-se chamar The Poles. Fala sobre um Mundo dividido em duas partes, a positiva e a negativa, fala sobre uma máquina que todos estranham e querem destruir, fala sobre a viagem de uma pessoa que pretende passar do pólo negativo para o positivo, …

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Quero que a release seja para Maio/Junho. Sei que é cedo, mas, vamos ver o que conseguimos.

 

Quem tens como convidados desta vez?

Sou só eu e a Jessica Lehto. Como referi, quero que seja simples.

 

Alguma vez iremos ver um dos teus projectos  ao vivo?

Nem eu sei responder a essa pergunta, mas gostava, nem que seja Factory que é bem mais simples para colocar ao vivo. Gostava de ter o tempo e o apoio necessário para fazer isso, Tenho de ver com a progrock também.

 

Queres deixar alguma mensagem ?

Quero deixar um abraço a todos os proggers Portugueses, um grande abraço para ti por esta entrevista. E comprem sempre os álbuns completos. Numa industrial musical em fase de grandes mudanças, têm que apoiar os músicos que fazem isto por gosto, pois só podemos continuar com o vosso apoio.

Obrigado Hugo pela entrevista e felicidades para os teus projectos

Do artrock-portugal.com”

 

 



 

 

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